Desnorteado, Fla expõe fragilidades coletivas e fica ‘no lucro’ Por Delta | 09/08/2018 | Sem Comentários Léo Duarte e Réver lamentam em lance na noite de quarta no Maracanã (Foto: André Melo/ Eleven/Estadão Conteúdo) Uma derrota que custou caro para o Flamengo. No bolso para uns, no campo para todos. Os mais de 40 mil torcedores que pagaram um preço médio de R$ 78,8 (o valor cheio variou de R$ 180 a R$ 555) deixaram o Maracanã cobrando aos gritos respeito, disposição e comprometimento. Não foi o que faltou nos 2 a 0 para o Cruzeiro. Foi pior. Se teve fôlego para correr, o time careceu de organização, maturidade e qualidade técnica em mais uma noite de decepção na Libertadores. De volta a um mata-mata da maior competição do continente após três eliminações na primeira fase, o Flamengo não precisou de muito tempo para dar mostras de que não se sente confortável neste tipo de disputa. Ou alguém acha normal um visitante dominar tanto as ações como o Cruzeiro o fez, com direito a atropelamento até o gol incrível perdido por Thiago Neves em cabeçada no travessão? A esta altura, os mineiros não eram senhores apenas do jogo, mas também do placar, e com uma estratégia executada diante de um Flamengo nitidamente desnorteado sem Lucas Paquetá. O Cruzeiro não deu tempo para Jean Lucas encontrar seu espaço em campo, ou a equipe se sentir confortável na saída de bola. Adiantou a marcação, mordeu no campo de ataque com Barcos, Robinho, Thiago Neves e Arrascaeta, e precisou de apenas dez minutos para fazer o primeiro gol. COMPLICOU O passe de Robinho para Arrascaeta desmontou uma defesa que não é de hoje que não se ajuda muito. Assim como há uma semana, diante do Grêmio, pela Copa do Brasil, a linha de impedimento foi mal feita. O mesmo Rodinei que deu condição a Léo Moura em Porto Alegre demorou para sair juntamente com Cuéllar e viu o meia uruguaio ficar livre para deslocar Diego Alves – bem no resto do jogo, Léo Duarte teve sua parcela de culpa ao deixar o adversário para atacar o homem da bola. A desvantagem deixou ainda mais bambas as pernas de um Flamengo que estava tentando entender como caminhar. Jean Lucas não funcionou no meio-campo e se apresentava pouco para o jogo (teve a bola nos pés apenas 22 vezes). As ações quase sempre voltadas para o lado direito também minavam a paciência do torcedor com o time pela falta de criatividade, mas em especial com Rodinei, mais uma vez mal nos cruzamentos. Atrás da linha da bola, o Cruzeiro reduzia os espaços, obrigava o Flamengo a cruzar na área e esperava um contra-ataque que não voltou a acontecer da cabeçada de Thiago Neves até o intervalo. Ao Rubro-Negro, restava apelar para o chuveirinho. Desta maneira, Uribe levou perigo em dois desvios no primeiro pau. No último lance do primeiro tempo, Everton Ribeiro se deslocou para o meio e serviu Rodinei duas vezes. Com espaço dentro da área, o lateral facilitou a vida de Fábio em ambas. SEM MUDANÇAS Sem mudar, o Flamengo voltou do intervalo no campo do Cruzeiro. Não à toa, teve 64% da posse de bola, 13 escanteios a favor e 14 finalizações. Por trás disso, porém, havia um adversário consciente de suas ações e que sempre pareceu mais próximo de ampliar do que sofrer o empate. Das 23 bolas levantadas na área, uma deu trabalho a Fábio, em cabeçada de Uribe. A marcação recuada, na intermediária defensiva, com o sangue novo de Raniel, por outro lado, evidenciava que os mineiros estavam à espera de qualquer vacilo para darem o bote. As entradas de Vitinho e Lincoln praticamente não surtiram efeito, e o Flamengo que tinha a bola trocava passes para o lado e para trás no campo ofensivo. Parecia ter mais medo de oferecer a outra metade do gramado do que intensidade para buscar espaços na bem postada defesa rival. E o cenário que se desenhava nas tentativas solitárias de Raniel se concretizou em trama coletiva de um Cruzeiro que novamente contou com a desatenção da defesa. Com uma objetividade poucas vezes vista no Flamengo durante a partida, a bola chegou até Rafinha, na ponta direita. O chuveirinho que o Fla tanto apelou virou passe rasteiro para Arrascaeta ajeitar e Lucas Silva chutar forte. No meio do caminho, Thiago Neves apenas desviou “avalizado” por um Réver que deu condição ao voltar da linha de fundo: 2 a 0 construído com organização, maturidade e qualidade. Tudo que faltou aos cariocas. – O gol muito cedo nos deixou numa situação desconfortável e a ansiedade tomou um pouco conta do jogo. Queríamos definir a jogada muito rápido, não tivemos tanta paciência para circular a bola e buscar os espaços. – Falar de eficiência é sempre complicado. Tivemos algumas oportunidades, mas não foi uma noite feliz – disse Maurício Barbieri. Impaciência com a bola nos pés, desatenção sem ela. O setor defensivo tão elogiado antes da Copa do Mundo tem vacilado mais do que de costume. Problema preocupa o treinador: – O adversário tem dado a bola para o Flamengo e jogado no nosso erro. Quando jogamos no erro do adversário, de forma reativa, é uma organização mais simples. Não acho que damos mais espaços, mas erramos mais. Ainda mais desorganizado e desesperado, o Flamengo tem mais motivos para acordar nesta quinta aliviado do que lamentando. Raniel e Rafinha desperdiçaram chances claras em contra-ataques em que foram parar na frente de Diego Alves. A verdade é que 2 a 0 ficou barato para um time que, sim, mostrou respeito e comprometimento. Muitos jogadores terminaram a partida extenuados e estirados no gramado. Mas já dizem por aí: Não adianta correr se correr errado como corre quem não apresenta organização, qualidade e maturidade. Fonte: Globo Esporte Compartilhe isso: Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+ Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir Curtir isso:Curtir Carregando... Relacionado 0 Comentários Deixe o seu comentário! Nome: Email: Website: Mensagem: Δ Cancelar Resposta