“O tempo que devora tudo”: 9 anos sem a Barragem Algodôes Por Delta | 28/05/2018 | Sem Comentários “TEMPUS EDAX RERUM”. A barragem de Algodões I em Cocal foi projetada em 1994 e executada a partir de 1995 pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e COMDEPI, hoje IDEPI (Instituto de Desenvolvimento do Piauí). A obra custou R$ 51 milhões (cinquenta e um milhões de reais) e teve como propósito fazer o barramento das águas do rio Piranji, na altura do município de Cocal, visando a perenização do rio, controle de cheias, abastecimento humano, irrigação de áreas agricultáveis, o estímulo à criação de peixes e utilização para turismo e lazer. Em 1999, o TCU (Tribunal de Contas da União) apresentou questionamentos sobre a condução da obra. A Barragem de Algodões I foi inaugurada no ano de 2001, ainda durante a gestão do governador , de alcunha, Mão Santa (PMDB), mas nunca cumpriu a sua finalidade nem tampouco alcançou seu limite máximo de acumulação. A barragem tinha capacidade para acumular 50 bilhões de litros de água. A Barragem de Algodões I nunca teve utilização efetiva. Durante quase uma década, a barragem Algodões serviu apenas como um pequeno balneário. Uma grande ducha no pé da parede que recebia poucos turistas. Enquanto isto, a parede apresentava fissuras. Duas semanas antes do desastre, já havia ameaça de rompimento. Boa parte das pessoas saíram de suas casas, mas dois dias antes da devastação, a ordem de um engenheiro fez com que essas pessoas voltassem às suas casas. JNo dia 14 de maio de 2009, surgiu a primeira possibilidade real de rompimento da barragem. Mandaram retirar as famílias, colocadas em escolas e improvisadas nas casas de parentes e amigos dentro da zona urbana de Cocal. A ordem eram para deixarem as localidades rurais próximas às águas da barragem. No entanto, no dia 25 de maio, uma reunião, realizada na prefeitura de Cocal, definiu a volta das famílias. Diz o documento desta reunião, que: “Ata de reunião da comissão mista da operação de socorro na cidade de Cocal”. Feita a abertura dos trabalhos, da comissão por Lucile Moura (presidente da EMGERPI), a mesma apresentou o Dr. Luiz Hernane de Carvalho (engenheiro consultor do Governo do Estado do Piauí), que relatou que: ”não existe em hipótese alguma a possibilidade de rompimento da barragem. As populações já podem retornar para as suas residências”. Prontamente, as famílias atenderam à determinação No dia 27 de maio de 2009, ocorreu o esperado! Um dos maiores desastres da história do Piauí: O Rompimento da Barragem Algodões I, localizada no município de Cocal. Águas partindo em uma onda que chegou a 10 metros de altura e que saíu arrastando tudo que via pela frente, desde árvores, postes, pedras, casas, animais e pessoas. Cerca de 11 localidades rurais foram totalmente destruídas. Além de Cocal, a cidade de Buriti dos Lopes foi atingida, sem contar trecho da BR-343, que, liga os municípios de Parnaíba e Luís Correia ao restante do Piauí. Foram contabilizadas mais de 2 mil famílias desalojadas e prejuízos irreparáveis. Uma tragédia anunciada que teve sete mortes confirmadas. Hoje completaram-se nove anos desta tragédia, e no mesmo horário em que ocorreu a queda dos postes da energia elétrica, do dia 27 de maio de 2009, pela força das águas,provocada pelo rompimento da parede. Hoje, nesta noite, Cocal teve uma forte chuva que provocou a falta de energia. Eram 19 horas em nossa Cocal. Tudo ficou escuro. Eram os céus nos lembrando desta triste noite, da qual, os cocalenses [que tem memória] nunca se esquecerão. Autor: João Passos/Professor e Historiador 0 Comentários Deixe o seu comentário! Nome: Email: Website: Mensagem: Cancelar Resposta